No dia 30 de julho, celebramos uma data muito especial: o aniversário de 119 anos do grande poeta Mário Quintana. Se vivo fosse, certamente encheríamos as ruas de Porto Alegre com homenagens e poemas que dançam nas brisas do nosso querido lar.
Quintana, um verdadeiro conterrâneo alegretense, deixou um legado literário que ressoa profundamente na alma de todos que amam a escrita e suas infinitas possibilidades de explorar os sentimentos humanos.Mário Quintana não foi apenas um escritor; ele foi um artista das palavras, mergulhando na essência da vida e traduzindo em versos a complexidade da experiência humana. Como eu, ele encontrou em cada letra uma forma de expressar um amor incondicional por Porto Alegre, a cidade que moldou sua inspiração e que, de certa forma, sempre fez parte de sua própria história. Assim como ele, sinto que a cidade é um vasto território de emoções, um espaço onde cada esquina e cada praça contam uma história, e onde as lembranças se entrelaçam com os sonhos.
A escrita de Quintana possui uma simplicidade encantadora, que beira o mágico. Ao lê-lo, somos levados a caminhar por suas palavras, a sentir a suavidade do que ele descreve, e a perceber a beleza escondida nas pequenas coisas da vida. Ele é um mestre em transformar o cotidiano em poesia, mostrando que a verdadeira inspiração pode estar nas situações mais simples e nos sentimentos mais profundos.É essa conexão com Porto Alegre que nos une. Em cada passeio pela cidade que amamos, podemos sentir a presença de Quintana, como uma brisa familiar que nos acompanha e murmuram segredos e histórias por entre as ruas.
Porto Alegre é um poema vivo, e suas ruas, praças e pessoas são os versos que compõem essa linda ode à vida que Mário Quintana tão habilidosamente expressou.Neste dia de celebração, é importante refletir sobre o impacto que a obra de Quintana teve em nossa cultura e em nossas vidas. Ele nos ensinou a olhar para o mundo com um olhar mais amoroso, a valorizar cada pequeno momento e a buscar a beleza até nas situações mais triviais. Ele nos inspirou a sermos poetas em nossa própria existência, a encontrarmos os versos que dançam em nossos sentimentos.
Por isso, para encerrar esta homenagem ao nosso querido poeta, trago uma das suas obras mais queridas, um poema que fala diretamente ao coração e que sempre me toca de maneira especial:
O Mapa
Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…
(E nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso…
Neste poema, Mário Quintana nos convida a refletir sobre as experiências que vivemos e os lugares que amamos.
Que neste dia especial, possamos celebrar não apenas o poeta, mas a cidade e sua magia, que nos enche de sentimentos e nos inspira a continuar escrevendo nossas próprias histórias. Que a essência de Mário Quintana sempre viva em nossos corações e em cada esquina da nossa amada Porto Alegre!
Por: Anna Simões
Escritora Gaúcha .

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